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tambor. Leva os orixás caminhando invisíveis entre as notas. Leva o batuque dos terreiros, o samba das rodas, o ijexá das procissões, o samba-reggae das avenidas, o afoxé que transforma fé em música e música em caminho.
A Bahia não fabrica percussionistas.
Ela os cria como quem cria rios.
Eles brotam naturalmente das ladeiras, dos quintais, das escolas de música, das rodas de capoeira, dos terreiros de candomblé, das festas de largo, dos ensaios de verão, das conversas de esquina e das noites intermináveis em que a cidade parece não dormir para continuar ouvindo seus tambores.
Hoje, quando fecho os olhos, ainda vejo aquele menino parado no Largo do Tanque.
Ele não sabia que estava assistindo à própria infância ganhar trilha sonora.
Também não imaginava que aqueles sons atravessariam sua vida inteira.
Agora compreendo.
O que eu ouvia não eram apenas instrumentos.
Era a própria Bahia dizendo ao mundo que um povo pode transformar sofrimento em beleza, memória em ritmo e esperança em música.
Porque há lugares onde a história é escrita em livros.
Na Bahia, muitas vezes, ela é escrita em couro.
E continua sendo lida pelas mãos dos percussionistas. Jorge Papapá é cantor e compositor baiano
https://aldeianago.s3.sa-east-1.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/07/28020112/o-coracao-da-bahia-bate-em-couro-por-jorge-papapa.jpg
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