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Telegram Bahia

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28 July 2026
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Infância. Por Jorge Alfredo Eu era muito jovem quando ouvi a estória de Kafka e sempre sentia um medo danado quando passava pelo corredor, na entrada do socavão da Jequitaia, sobrado de Vovô Chiquito, onde no andar térreo, mantinha uma fábrica de queimados, que ele comercializava na Estação da Calçada, da Leste Brasileiro. Na fábrica, passagem para o imenso quintal de terra preta, ficavam as imensas mesas de pedras de mármore cercadas de ferros e pesos que evitavam que o grosso caldo do açúcar se derramasse no chão. Aquele mundo de celofanes colorados de limão e baunilha embrulhavam minh’alma que nem versos embalados em papel manteiga. O movimento dos baleiros arrumando as cestas com as bolachinhas de goma vindas de Alagoinhas. Aquele cheiro de maresia misturado à fumaça do fogão a lenha. Tinha os pés de manga espada e os cacos de vidro, mas também as ratoeiras armadas para deter os roedores. E os pés de bananeiras do vizinho insistiam em dar cachos pro lado de cá. No andar de cima, a cristaleira bonita da filha com cristais Fratelli Vita, o bar de bebidas proibidas e a sala de visita. Não para estar, muito menos brincar. Mas, à beira da varanda se cantava cirandas, se avistava um tanto de mar. Minha Vó Tutu de manhã cedo jogava água na parede pra adivinhar o bicho do dia, e meu pai sempre ligado no prêmio da loteria e nas cartas do baralho. Quando vieram as revoluções das baratas, eu ainda era criança e me impressionava muito com tudo isso. Já entendia o que viria a ser uma metáfora, mas a metamorfose literária ainda me surpreendia. Nem eu mesmo saberia, quiçá compreenderia a mais valia das labaredas no meu corpo de criança. Mas a culpa sempre coube ao álcool no paletó do meu pai que quase me santificou. Os ônibus elétricos silenciosos eram um perigo para os cães de rua. As marinetes eram as preferidas no Largo de São Joaquim, da Coca Cola à Circular, a gente brincava nos passeios com receio de atravessar a avenida e nadar até a Pedra Quadrada. O apito do
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Sonzaço! Porque o apito final nunca é o fim da conversa…Por Renato Queiróz Senta que lá vem História! Sete dias. Uma semana inteira e eu ainda tô aqui remoendo a final da Copa do Mundo… O MetLife já deve ter lavado as arquibancadas, a FIFA já deve ter embolsado os lucros, e já articula outras copas, os patrocinadores já devem ter feito seus balanços. E as Bets vão continuar na ordem do dia. Mas a gente, torcedor de alma e raiz, fica com aquela sensação estranha, sabe? Parece que assistimos a um filme com roteiro quase vazado, daqueles que você teme o final antes de começar. A seleção argentina perdeu a esperada taça, é verdade. Mas tem um outro aspecto, que também chamou a atenção, foi ver quase todo mundo indignado. E com razão, eu diria. Porque não foi só um jogo mal jogado, foi o desfile de tudo que há de inquietante no futebol atualmente, a suspeita rondando cada lance, o VAR parecendo ter olho torto, a arbitragem decidindo o que queria enxergar. Eu não sou chegado a teorias de conspiração, mas teve hora que eu me peguei pensando se isso ainda era esporte ou virou negócio. E a torcida, meu Deus, as imagens que correram o mundo, o racismo escancarado, as ofensas que foram parar em todos os jornais de todos os continentes, e a organização da FIFA passiva deixando o circo pegar fogo. Aí não tem jeito, a simpatia que o mundo podia ter pela Argentina se esvaiu porque o mundo, cedo ou tarde, se cansa de ver sempre a mesma história se repetindo. Messi, o maior de todos, podia ter falado, podia ter dito “isso não é certo”, ficou em silêncio e o pior silêncio é o de quem tem voz e não usa. Na final ele tava lá, mas parecia que não, assistindo os companheiros se perderem em cartões, em faltas, em desespero. Ídolo que se cala diante do erro não é líder. Mas vou te contar, tenho uma preguiça danada de quem generaliza povo inteiro por causa de minoria birrenta e intolerante. Em todo lugar tem gente que pensa assim. Na Argentina também tem. Milo J é esse retrato sem
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só música: é o peso da pele e das marcas que a história deixou, todas transformadas em orgulho. Composta pelo próprio Milo J, com arranjos e produção divididos com o Tatool e o Santiago Alvarado. É o som de quem encara a arrogância do sistema e segue em frente, não por dinheiro, mas por honra. SONZAÇO! Renato Queiroz é um apaixonado pela história e pela música ➖ @BahiaEventos
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O coração da Bahia bate em couro. Por Jorge Papapá A primeira música que entrou na minha vida não veio do rádio. Veio da rua. Era menino quando as charangas desfilavam pelo Largo do Tanque. Antes mesmo de dobrar a esquina, já se ouvia o rumor dos tambores misturado aos metais. Depois surgiam os músicos, impecavelmente alinhados, caminhando como se obedecessem a um coração invisível. Eu ficava parado na calçada, sem dizer palavra, vendo a perfeição daquele conjunto. Um instrumento chamava o outro, um respondia ao outro, e todos pareciam respirar no mesmo compasso. Naquele tempo eu não sabia que a música também podia ensinar. Foi ali que aprendi que o ritmo é uma forma de disciplina. Que a emoção também pode ser precisa. Que um tambor, quando encontra outro tambor, faz nascer uma linguagem que dispensa tradução. Os anos passaram. Já morava na Alvarenga Peixoto quando Salvador começou a ouvir uma nova pulsação. Os timbaus apareceram como um trovão anunciando outro tempo. Primeiro timidamente, depois ocupando ruas, largos, bairros populares, festas, ensaios de verão e o cotidiano das comunidades. A cidade inteira parecia ganhar outro coração. Nunca vi alguém bater num timbau. Vi, sim, homens e mulheres conversando com ele. As mãos desciam sobre o couro como quem acorda uma memória antiga. Cada toque fazia nascer um timbre diferente. Havia sons que lembravam o mar quebrando nas pedras da Ribeira. Outros pareciam trovões atravessando o céu do Subúrbio. Alguns soavam como gargalhadas de crianças correndo pelas ladeiras do Pelourinho. Outros tinham a profundidade das rezas feitas nos terreiros, onde o tambor nunca foi apenas instrumento: sempre foi voz. A Bahia aprendeu cedo que o couro fala. Depois vieram os blocos afro. Vieram o Ilê Aiyê mostrando que a beleza negra podia desfilar em forma de tambor, o Olodum reinventando a linguagem da percussão e levando o samba-reggae para todos os continentes, o Muzenza, o Malê Debalê, o Cortejo Afro, a Didá ensinando que
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tambor. Leva os orixás caminhando invisíveis entre as notas. Leva o batuque dos terreiros, o samba das rodas, o ijexá das procissões, o samba-reggae das avenidas, o afoxé que transforma fé em música e música em caminho. A Bahia não fabrica percussionistas. Ela os cria como quem cria rios. Eles brotam naturalmente das ladeiras, dos quintais, das escolas de música, das rodas de capoeira, dos terreiros de candomblé, das festas de largo, dos ensaios de verão, das conversas de esquina e das noites intermináveis em que a cidade parece não dormir para continuar ouvindo seus tambores. Hoje, quando fecho os olhos, ainda vejo aquele menino parado no Largo do Tanque. Ele não sabia que estava assistindo à própria infância ganhar trilha sonora. Também não imaginava que aqueles sons atravessariam sua vida inteira. Agora compreendo. O que eu ouvia não eram apenas instrumentos. Era a própria Bahia dizendo ao mundo que um povo pode transformar sofrimento em beleza, memória em ritmo e esperança em música. Porque há lugares onde a história é escrita em livros. Na Bahia, muitas vezes, ela é escrita em couro. E continua sendo lida pelas mãos dos percussionistas. Jorge Papapá é cantor e compositor baiano https://aldeianago.s3.sa-east-1.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/07/28020112/o-coracao-da-bahia-bate-em-couro-por-jorge-papapa.jpg@BahiaEventos
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Ribeira. Por Jorge Alfredo Em 1963, meu pai, promotor publico, foi nomeado para a primeira comarca, e nos mudamos de Jequié para Salvador. Nossa família veio morar em Itapagipe, o que me pareceu algo encantador! Eu havia passado uma temporada de seis meses no Rio de Janeiro e voltara cheio de novidades. Então, achei muito bom não voltar pro interior da Bahia. Nossa nova moradia foi na Lélis Piedade, na Ribeira, bairro de gente namoradora e bronzeada, onde aprendi a tocar violão, comecei a ler muita poesia, ouvir muito mais música e praticar esportes. Havia algo de paradisíaco no ar. Ainda cedinho, mamães e babás banhando crianças com o sol da manhã pelas calçadas. Adiante, rapazes e moças em trajes de banho a caminho da praia do Bogari; atletas de natação e remo ao lado de marinheiros e pescadores, tudo naquele ritmo cadenciado de beira mar, como que obedecendo ao balanço bem maneiro das pequenas vagas de enseada. De tardezinha, o velho hábito das famílias sentarem-se em cadeiras de lona ou espreguiçadeira, nas calçadas, à porta das casas para tomarem uma fresca, bater um papo, olhar o movimento, comentar a vida alheia. À noite, o flerte de esquina, os bêbados, os loucos, as serenatas dos apaixonados, a brincadeira, a certeza, enfim, que a Ribeira era o melhor lugar do mundo pra se viver. Mais do que esse lado bucólico nos encantava a vida autônoma do bairro. Um morador da Ribeira poderia passar meses, até anos, se quisesse, sem ir ao centro da cidade. Pra quê? O bairro tinha opções de comércio, lazer, praias limpas e sem ondas, bons mercados, açougues, peixarias, uma ótima feira livre, armazéns e armarinhos, lojas, cinemas, belas e tradicionais igrejas, bons colégios públicos e particulares, clubes sociais, postos de saúde, delegacia de polícia, uma afamada sorveteria, eventos culturais e desportivos, festas religiosas e pagãs. Suas ruas eram de paralelepípedos, adornadas de árvores frondosas, de boa sombra, uma imensa balaustrada voltada para o mar, com visão
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07-24-2026-maromba mental_lowres_1.mp4 · 55.9 MB · click to show
O CÉREBRO LISO QUE NEM PEITO DE FRANGO 🤔 Porque você malha o braço mas não o cérebro? 🧠 Para o cérebro ficar "maromba" ele tem que ficar em constante atividade, o caminho contrário que a IA está fazendo. 💪 A inteligência artificial tem que ser usada como ferramenta, não como substituição do esforço humano. Siga o nosso Instagram: https://www.instagram.com/slpng_giants_pt/reel/DbOu5_YFZmJ/ Vídeo por: https://www.instagram.com/felipevassao/
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Olá, pessoal! Tudo bem? Me chamo Lucas e gostaria de saber se vocês já vieram para a cidade de São Paulo. Se sim, já visitaram o bairro da Liberdade? Qual foi o principal motivo da visita a esse bairro?
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29 July 2026
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